Depois de livros e filmes, “Ligações Perigosas” ganha uma caprichada adaptação para a TV

Olá, pessoal!!

Começando a semana de trabalhos aqui no Guia, vamos falar sobre a mais nova microssérie da Globo e que já chegou carregada de polêmicas: “Ligações Perigosas”.

E por falar em ligações, acabei me lembrando das rainhas das chamadas telefônicas!!
Mas as ligações, no contexto da trama, se referem a algo um pouco mais… errr… Carnal, por assim dizer.
A microssérie é baseada no clássico da literatura francesa “As Ligações Perigosas”, de Chordelos de Lacios (publicado em 1782). De lá pra cá, muitas adaptações da obra foram realizadas e a trama ganhou vida em peças de teatro, vários filmes e, agora, recebe uma roupagem brasileira.
Por aqui, a história se passa nas primeiras décadas do século XX em uma fictícia cidade brasileira, Vila Nova. E quando eu digo fictícia, é pra valer! Várias das cenas da história foram gravadas na Argentina e muitas das locações são da terra dos hermanos, como a Patagônia, por exemplo.
Além disso, vários dos personagens receberam novos nomes. A Marquesa de Merteuil, por exemplo, tornou-se Isabel D’ávila (interpretada. brilhantemente, por Patrícia Pillar). O Visconde de Valmont foi transformado em Augusto de Valmont (o sussurrante Selton Mello); enquanto a Madame de Tourvel atende pelo nome de Mariana de Santanna (Marjorie Estiano e todos os anos) e o ingênuo cavaleiro Danceny foi transformado em – PASMEM – Felipe Labarte (Jesuíta Barbosa).
Isabel ostentando lu$ho e opulência! É noix que tá, colega!
O enredo gira em torno de vingança e sedução. Isabel e Augusto são ardentes amantes (nossa, que coisa cafona) desde sua adolescência. Costumam apostar entre si quando os assuntos se referem às suas conquistas e enlaces amorosos. A tensão se inicia quando o amante de Isabel, Heitor (Leopoldo Pacheco), decide se casar com a prima de segundo grau da dondoca, a ingênua e pueril Cecília (Alice Wegmann).
Tomada de raiva pela atitude do amante (que, além de tudo, almeja se tornar deputado em breve), Isabel, em parceria com Augusto, planeja uma vingança contra Heitor: ela pede ao amigo que seduza Cecília e que tire sua virgindade antes do casamento. Vale lembrar que o ex-amante de Isabel chegou a dizer a ela que nunca se casaria com uma mulher que “se dá ao disfrute”. Daí surge a ideia central onde a revanche da sedutora mulher se baseia.
Heitor pedindo a mão de Cecília à sua mãe no Bob’s da época
No entanto, de início, Augusto não aceita a proposta de Isabel. Seu alvo, no momento, atendia pelo nome de Mariana de Santanna, uma carola recatada e que estava visitando a casa de campo da tia do rapaz, Consuêlo (monstro sagrado e Titã da dramaturgia Aracy Balabanian).
Ahh, Mariana também é responsável por proferir frases de efeito religioso de forma didática e copiosa, como aconteceu, também, em “Os Dez Mandamentos”. Então, não se assuste se ligar a TV querendo nudes (hahaha safadjenho(a)) e escutar a seguinte deixa:
Fonte: TV Pra VC
 
 
Obs.: Abaixo, um registro de BALABANIAN, Aracy no maior estilo “Downtown Abbey” porque nunca é demais!
 
Bem, voltando à história, Augusto descobre que a mãe de Cecília, Iolanda (Lavínia Pannunzio) vem escrevendo à Mariana sobre ele, alertando-a quanto ao seu mau caráter e suas condutas duvidosas. Mariana, então, decide recusar as investidas do galanteador, o que o deixa com raiva e o que acaba por motivá-lo a seduzir a filha de Iolanda como uma forma de vingança à senhora. Ele se oferece como um porta-voz do casal formado por Cecília e por seu jovem professor de música, Felipe (Jesuía Barbosa); levando e trazendo cartas do rapaz à ela, sem que sua mãe, no entanto, saiba.
Augusto, por pura insistência, começa a seduzir a jovem utilizando métodos um tanto quanto pesados e que representam suas condutas visando a conquista acima de tudo.
Augusto e Cecília ou Visconde de Valmont e Cecile, anyway
E foi exatamente este ponto que levou à polêmica que movimentou as redes e o noticiário televisivo na última semana: a cena de estupro de Cecília por Augusto.
O episódio é narrado na obra original e muitos já estavam esperando pelo resultado final. Porém, o que causou reações adversas nos telespectadores foi o fato de, para exibir uma cena de beijo gay, a Globo precisar consultar antes a várias parcelas do público, tomando cautelas exageradas e bastante conservadoras, até (vide o beijo envolvendo os personagens de Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro em “América”, de 2005, que foi inteiramente gravado, mas nunca posto no ar); enquanto que cenas com a temática de estupro são, ao que parece, aprovadas de modo mais fácil pela alta cúpula da emissora, indo ao ar sem grandes censuras. Na própria microssérie podem ser observados traços desta diferença de abordagem entre os temas, já que, logo em seu primeiro capítulo, a história insinuou uma cena de beijo gay entre duas mulheres, em um bordel frequentado pelo personagem de Selton Mello. No entanto, no momento do beijo, a câmera claramente mudou de enquadramento e o público ficou apenas com a reação de prazer de Augusto de Valmont.
Além disto, cenas onde as amigas Sofia (Hanna Romanazzi) e Cecília ensinavam uma a outra a como beijar (episódios comuns em romances franceses de época) também foram readaptadas, mostrando, apenas, as amigas se beijando no pescoço.
Em termos de produção, a microssérie está de parabéns! Filmada através de equipamentos com tecnologia 4K, seu episódio piloto chegou primeiro e na íntegra ao ambiente virtual (em uma ação inédita), através do aplicativo de conteúdo on demand da emissora, o Globo Play.
A adaptação da história ficou a cargo da estreante Manuela Dias, que fez bonito e presenteou o público com um texto perspicaz, sem barrigas e sem exageros nas deixas dos personagens. Pregou pela não utilização de didatismos estilísticos e acertou em cheio!
Com uma fotografia impecável, “Ligações Perigosas” possui direção de Vinicius Coimbra e é uma obra de arte em pleno horário nobre, desde os figurinos à trilha sonora, dos aos cenários à pesquisa de época! E o que falar da abertura? Estou escrevendo com os pés, porque com as mãos estou aplaudindo!

“Ligações Perigosas” já acaba nesta sexta (15/01/2016), mas ainda temos 4 capítulos pela frente! Vai ao ar logo depois da novela “A Regra do Jogo” e vale apena ser acompanhada não só por seus cuidados estéticos, mas também por sua narrativa cativante!
É isso, amigos!
Espero que tenham curtido mais esse post e que continuem com a gente! Quinta tem mais!
Um grande abraço e até lá 🙂
 

O maior noveleiro que você respeita. Tem 22 anos, é canceriano e cursa Estudos de Mídia, na UFF. Televisão, fotografia e livros estão entre suas maiores paixões - junto com farofa e empada, claro. Já foi professor de inglês, participou de um concurso de roteiristas para o G Show e, atualmente, também escreve para o #MUSEUdeMEMES (believe, it’s true <3).

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Nenhum comentário

  1. Filipe
    Ótima fotografia, direção precisa, texto enxuto e impecável. Porém os figurinos foram poucos elaborados. Parecem atemporais (os masculinos). Fraca pesquisa nesse quesito.
    Patrícia Pillar mais uma vez vivendo uma mulher dissimulada e calculista. Desde Flora (A FAVORITA), autores e diretores a escalam para tais papeis. Em suma: um arraso em cena.
    Destaque também para a estreante Lavínia Pannunzio como Iolanda. A atriz está dando um show ao lado de Alice Wegmann.
    Abraços.

  2. Albinno, muito legais suas considerações, concordo com tudo!! Muito obrigado pelos elogios ao texto, fiquei super feliz! Também achei os figurinos masculinos um pouco atemporais, mas os femininos estão muito lindos!! Cheios de detalhes! E sobre Patrícia Pillar, nem tenho o que comentar… Ela está realmente maravilhosa no papel, muito segura! E Lavínia Pannunzio também me surpreendeu! Interpretação ágil e verdadeira, né? Já sobre a Alice, sou apaixonado por ela desde os tempos de Malhação hahaha Uma ótima atriz!

    Abraços 🙂

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