O Menino e o Mundo

Não faltam motivos para se falar dessa animação brasileira!
O Menino e o Mundo é incrivelmente sensível, denso e elaborado.

No Omelete, a história do filme é descrita como: “Cuca é um menino que vive em um mundo distante, numa pequena aldeia no interior de seu mítico país. Certo dia, ele vê seu pai partir em busca de trabalho, embarcando em um trem rumo à desconhecida capital. As semanas que se seguem são de angústia e lembranças confusas. Até que, numa determinada noite, uma lufada de vento arromba a janela do quarto e carrega o menino para um lugar distante e mágico”.

Mas, sinceramente, um dos grandes trunfos dessa narrativa é que se torna muito difícil contá-la. É preciso experienciá-la. A jornada inteira na qual embarcamos com esse menino é contada “aos olhos de uma criança”, numa perspectiva lúdica, imaginativa e mítica. 

Mas isso, de forma alguma, faz menor as questões levantadas pelo filme. Muito pelo contrário, somos carregados por transformações urbanas e sociais que refletem exatamente o momento que estamos vivendo, repensando consumo; modernidade; industrialização e sustentabilidade. Uma viagem que nos faz refletir como chegamos onde estamos.

Outro grande trunfo é a trilha sonora. O filme inteiro sem textos verbais, sem palaras, que em muitos momentos nos faz reviver a sensação de como é não saber ler, apoia-se numa construção musical marcante e bem brasileira. Completamente original, a produção musical é encabeçada por Ruben Feffer e Gustavo Kurlat e conta com as participações especiais de Emicida, Naná Vasconcelos, Barbatuques e GEM- Grupo Experimental de Música.
 
O tema principal você pode ouvir aqui:

 
No Oscar 2016, que vai ao ar esse domingo, O Menino e o Mundo representa o Brasil na categoria ‘Melhor Animação’ contra quatro outras produções: Anomalisa; As Memórias de Marnie; Shaun, o Carneiro e, o desnecessário favorito, Divertida Mente.
 
Falo com esse tom sobre o filme da pixar, mas não é que não gostei. É que parando pra pensar melhor animação, eu não acho que a Disney conseguiu chegar perto da sensibilidade que O Menino e o Mundo alcança. E não em questão de roteiro, em questão de obra completa mesmo. Divertida Mente muitas vezes me vem como um filme que poderia ter uma versão live-action, com pessoas atuando, com cenários digitais. Sei que é um pecado colocar essas comparações no mundo das animações, e tudo é bem bonitinho e bem feito.
 
O negócio é que com O Menino e o Mundo a forma de animar conta a história tanto quanto o roteiro e a música; o encontro e a sincronia desses três elementos nos desliza pela narrativa e constroi efeitos de sentido necessários para o momento de contato com aquelas reflexões. 
 
Como os movimentos são a partir de desenhos é muito interessante ver os cenários, personagens, objetos se construindo e desconstruindo. Se transformando. Ainda, conforme a aventura vai sendo vivida, vamos percebendo que o estilo desenhístico vai se transformando; desde um desenho simples de uma criança muito pequena até mais complexos e detalhados. 
 
O legal é que é uma história muito brasileira, cheia de marcas fortes da nossa cultura e do nosso processo de modernização, mas também uma história universal. Tomara que se espalhe para o mundo! E, se você ainda não foi convencido, fica o trailer aqui embaixo. Mas tenho certeza que ninguém vai se arrepender.
 

 

É viciado em ficção seriada e em questionar o mundo. Já assistiu todas as séries que você pode imaginar e seu maior interesse está em acompanhar a história por um longo período de tempo e ver personagens crescerem e se transformarem. Não entende o preconceito com a televisão e adora se comunicar com as pessoas.

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