A terceira fase ‘nonsense’ de “Velho Chico”

Olá, pessoal!

Nosso post de hoje falará sobre a terceira fase da atual novela das 21h da Globo, “Velho Chico”! Em especial, trataremos sobre os fatos estranhos que aconteceram com a passagem de 30 anos na trama – algo que incomodou bastante a audiência.

Camila Pitanga só observando essa zoeira aí……….
As fases iniciais da obra foram realmente muito emocionantes, contando com atuações belíssimas e com uma história consistente; equilibrando ação, romance, humor e fantasia no tom certo e de um jeito que conquistou o público e a crítica especializada ao longo de seu primeiro mês de exibição.
(Para ler nosso post sobre a estreia de “Velho Chico”, clique aqui!)
As primeiras fases apostaram no lirismo
Romances bem temperados ajudaram a compor as tramas
A escolha de elenco foi acertada e deu chance a novos talentos
Porém, no entanto, todavia; eis que 3 décadas se passaram no folhetim e várias mudanças foram operadas a fins de dar continuidade à história. O grande problema é que, após o primeiro e cativante mês de exibição de “Velho Chico”, os telespectadores já tinham se afeiçoado aos núcleos e já estavam, inclusive, torcendo por seus casais preferidos!
Até que ligamos a TV  e nos depararmos com……………………….. Antonio Fagundes de peruca caju –‘
Aí, veio o primeiro baque: o coronel, há 30 anos atrás, – e mesmo já tendo uma filha de quase 20 – tinha cabelo pra dar e vender..!!
O que aconteceu para ele passar a usar peruca, gente?! Descaracterizou bastante.
Minha reação:
Quando Fagundes começou a atuar, pôde-se perceber que todo o excelente trabalho de composição que Santoro havia, brilhantemente, iniciado, foi totalmente desprezado por ele e pela direção da novela. Nos deparamos com um coronel estereotipado, exagerado, quase que caricatural (em nada lembrando a atuação sensível, os gestos calculados de forma milimétrica e as expressões faciais e corporais fantásticas que Rodrigo emprestou ao ‘coroné Saruê’ de outrora). Uma pena…
Como se não bastasse, colocar o Fagundes para atuar com sotaque rural (apesar dele ser um ótimo ator) funciona com algumas regras já pré-definidas e conhecidas dos noveleiros mais atentos. Vamos a elas:
1)  boca torta pra falar;
2) um charutinho do lado pra fumar;
3) o cenho franzido e os olhos espremidos em cena.
Foi assim em “O Rei do Gado”, “Gabriela” e “Meu Pedacinho de Chão”, por exemplo. Mas, ao que parece, a fórmula já se exauriu.
Outro ponto importante e ainda referente ao Afrânio de Antonio Fagundes foi seu bizarro casaco bicolor, presente logo no primeiro capítulo da nova fase. Nas cenas externas, seu casaco era azul. Já nas internas, em estúdio, a vestimenta tornava-se verde (sem mais, nem menos)..!
Nessa vibe hehehe

E o que falar sobre a estranha ordem cronológica do enredo?! Encarnação (Selma Egrei), por exemplo, faz 100 anos e continua na história, bem mais velha e debilitada do que em seu início.
Mas muita calma nessa hora, amigos… Essa senhora está muito bem conservada para um centenário de vida, não acham? As águas do rio São Francisco têm formol, só pode!
100 com carinha de 80, miga
Outra grande surpresa foi o Padre Romão (Umberto Magnani) ainda estar vivo..! Sim, pessoal… Ele esteve presente em todas os 3 períodos da novela e se manteve intacto, sem quase envelhecer!
Particularmente, sou fã do ator. Mas mantê-lo em todas as fases foi demais, produção. E olha que tentei abstrair, tentei relevar… Mas não deu! O padre tinha a mesma idade ou até mais do que Dona Encarnação, se bobear.
E qual não foi minha surpresa quando ele apareceu, ainda por cima, andando de moto, minha gente?!
Minha batina, minhas regras…
Outro que não alterou uma vírgula desde a sua primeira aparição no fictício vilarejo de Grotas do São Francisco foi Chico Criatura (Gésio Amadeu), que ainda mantém seu bar em 2016 e conheceu (segundo um diálogo na semana passada), o pai do coronel Jacinto de Sá Ribeiro (Tarcísio Meira) – que, por sua vez, era pai de Afrânio; Afrânio este que hoje é interpretado por Fagundes..!). Calcule a idade desse cabra!
E Maria Tereza? Uma menina (Julia Dalavia) que era batalhadora, impulsiva e determinada virou uma mulher (Camila Pitanga) chorosa e saudosista, que curte abraçar paredes, fazer carinho em pangarés e repetir “Velho Chico, abençoe essa sua filha que foi embora, mas tá voltando” em quase toda a cena.
Pitanga tem um talento ímpar e está ótima na personagem, adoro a atriz. Porém, os autores deveriam estar mais atentos à continuidade do perfil ideológico e identitário de nossa Terê, para não se perderem e não confundirem ainda mais a audiência.
Só os próximos capítulos poderão dizer o futuro da trama. Sabe-se que a Globo (a partir de suas pesquisas junto aos telespectadores do horário) já encomendou umas mudanças à obra e à composição das personagens. Há boatos também de que a visão do diretor, Luiz Fernando Carvalho, é diferente da dos autores e do supervisor de textos do folhetim, Benedito Ruy Barbosa – o que estaria gerando um mal-estar nos bastidores. É aguardar para observar o que acontecerá daqui pra frente..!
Benedito e Carvalho na coletiva de imprensa da novela
E vocês, o que acharam dessas mudanças todas em “Velho Chico”? Conte pra gente nos comentários 😉
Abraços e até semana que vem o/

O maior noveleiro que você respeita. Tem 22 anos, é canceriano e cursa Estudos de Mídia, na UFF. Televisão, fotografia e livros estão entre suas maiores paixões - junto com farofa e empada, claro. Já foi professor de inglês, participou de um concurso de roteiristas para o G Show e, atualmente, também escreve para o #MUSEUdeMEMES (believe, it’s true <3).

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