A Transformação de Sheldon Cooper

Chegando ao fim da nona temporada de The Big Bang Theory, uma questão fica no ar: O mais autêntico personagem da série deixou de ser ele mesmo?

Desde os primórdios da sexta temporada já se debatia se Sheldon Cooper estaria se transformando em outra pessoa, perdendo suas características mais marcantes: sua não adesão aos acordos da sociedade, a infantilidade boba, a falta de percepção das ironias e do sarcasmo, as manias e o jeitinho desagradável que todos adoram amar.
 
Eu já preciso dizer que discordo! Não discordo que ele esteja realmente se transformando, mas também não vejo ele perdendo a essência que já o fez o personagem mais amado da televisão estadounidense, que rendeu ao ator 50 indicações a prêmios e 17 vitórias.
 
Pra começar, as mudanças que a gente vêm acompanhando nas últimas temporadas lançadas não são as primeiras pelas quais Sheldon já passou. Da pra ler ainda mais sobre isso nesse Geekitorial!
Nas primeiras temporadas, o que ficava mais evidente na construção cômica era sua inteligência além do normal e a arrogância. No começo da história, Sheldon apoiava, por mais que se declarasse contra, o envolvimento de Leonard e Penny; inclusive, chegou a dar consehos.
Mais tarde, ele se tornou mais estranho. Exageram suas manias, sua obsessões, sua dificuldade em conviver socialmente – todas as características iniciais; e esse Sheldon não sabia nada sobre o amor.
Depois, conduziram ele para um lado mais desenho animado, adicionaram um bordão que não sai da cabeça e criaram situações bizarras para ele viver. Além de o colocaram num papel de amigo babaca, mais egoísta e de um certo jeito maléfico.
Agora, a grande questão sendo discutida é o desenvolvimento de seu relacionamento, suas experiências amorosas, suas colocações. Sua abertura para fazer coisas para uma outra pessoa, de abrir mão – e pouquíssimo ainda – das suas vontades. Sua abertura para o mundo.
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Você pode perceber que dentro de cada um dos Sheldons, em cada temporada e em cada episódio, a pessoa Sheldon está lá, a essência Cooper é o que comanda, mas ele vai se adaptando, mudando, descobrindo, construindo e reconstruindo. Eu não acho que é uma perda, ainda mais se tratando de um sitcom, é uma conquista. A possibilidade de um personagem ir sendo complexificado ao longo do tempo, mas mantido atrelado a características planas.
E isso é uma das coisas mais incríveis de assistir a séries, a possibilidade de ver os anos passando. E realmente! Diferente dos filmes tirando boyhood né . Você assiste a um ser humano e uma personagem se desenvolvendo, mudando fisicamente e psicologicamente.
São 9 temporadas! Nove! Nove anos e a gente gostaria de assistir à mesma coisa? Não assistir às transformações? Aos amadurecimentos e experiências?
São 7 temporadas de Modern Family pra gente ver aquelas criancinhas se tornando adolescentes e adultos. 10 temporadas de Friends pra conhecer um Chandeler que não conseguia ter um relacionamento, para um pai adotando gêmeos. 3 temporadas de Faking It pra perceber a complexidade de entender a própria sexualidade.
8 temporadas pra gente ter a chance de ver um personagem que a gente já conhece há tanto tempo dizer seu primeiro ‘eu te amo’.
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Não sei vocês, mas é que eu realmente ainda vejo o Sheldon, sei com certeza que é ele quem está ali, mas é ainda mais prazeroso poder vê-lo fazendo coisas novas, realemnte vivendo o mundo e vivendo a vida. Acompanhar sua jornada e saber que, depois de tudo pelo que já passou, não poderia ser o mesmo.

É viciado em ficção seriada e em questionar o mundo. Já assistiu todas as séries que você pode imaginar e seu maior interesse está em acompanhar a história por um longo período de tempo e ver personagens crescerem e se transformarem. Não entende o preconceito com a televisão e adora se comunicar com as pessoas.

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