Precisamos falar sobre ” Cuidado com o Anjo”

Em exibiçāo no SBT, “Cuidado com o Anjo” traz Maite Perroni como protagonista (sim, a Lupita de “Rebelde” hahahaha). A mocinha, apelidada de  Malu, foi abandonada na infância, não tem muito estudo, é meio arredia e ingênua, naturalmente bela (digam oi aos padrões de beleza impostos pela sociedade) … Aqueles estereótipos que são a cara das novelas mexicanas, né?!

Como já era de se esperar, ela se apaixona por um bonitão! João Miguel é rico, tem cara de bom moço e possui aquele olhar meio perdido (acho isso bem irritante, confesso).

A gente sabe que sempre rola triângulo amoroso. Com “Cuidado com o Anjo”, não é diferente: essa dinâmica, inclusive, repete-se em distintos núcleos.

Aí, quando achamos que é “só” mais uma novela extremamente dramática, vem o ápice da falta de noção [deixo claro que o fato é extremamente romantizado. É de doer os olhos, gente!]. Ficamos sabendo que Malu sofre um abuso (ou a tentiva, pois nāo fica claro) sexual; obviamente, ela fica traumatizada. O galã, a essa altura já apaixonado (eu diria obcecado!) por Malu, descobre que ela foi a vítima que ele tentou estuprar!!!! Preparem-se, pode piorar…

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Começa a saga do cão arrependido! Após casar -se com João Miguel, Malu descobre quem ele é de fato. A mocinha foge…

A pior parte é que nesse meio tempo, o psiquiatra é tido como vítima também, como coitadinho, bom moço confuso (WHAT?!!!). O estupro é romantizado, relevado atrás de quinhentas desculpas e olhares “fofos”. O monstro vira príncipe, salva a pobre mocinha, recebe o tão sonhado perdão.

Pronto, tudo é naturalizado! Depois de muitas lágrimas, a redenção, a felicidade plena! Casal unido, passado apagado. E a gente que engula a revolta, não é mesmo? (Não, não é)

Precisamos parar de naturalizar abuso, isso é sério, gente! Vamos problematizar, questionar, refletir.

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Dayana, mas pode chamar de Day. 22 anos, formada em Estudos de Mídia. Ama novelas mexicanas e gifs da Gretchen. A dramática que sorri até os olhos (que sāo bastante expressivos) fecharem e sabe que fazer bolos é quase terapêutico. Analista de Mídias Sociais, apaixonada por cultura POP, séries médicas, feminismo e representatividade.

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