“Justiça” seja feita: que série incrível!

“Well I’ve heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don’t really care for music, do you?
Well it goes like this:
The fourth, the fifth, the minor fall and the major lift
The baffled king composing Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah”

Pela música já dá pra descobrir qual será nosso tema de hoje, né? Acertou quem disse “Justiça”, a nova minissérie da Globo!

Não, migos… Sinto desapontar, mas não abordaremos “Shrek” nesse post – embora essa cena me emocione até hoje!
Criada por Manuela Dias e maravilhosamente dirigida por José Luiz Villamarim, a trama aborda 4 estórias que vão sendo narradas ao público ao longo das semanas. E, o melhor de tudo: as narrativas se conectam com o desenrolar dos conflitos..! Acompanhamos a prisão dos personagens que movimentarão o enredo e o momento em que saem da cadeia, 7 anos depois. E é aí, nesse momento, que se dão conta de como suas vidas estão mudadas e de como o tempo é implacável para quem teve de se ausentar de um cotidiano cada vez mais rápido e volátil.
Siiiim, é bem arrepiante!
Toda segunda acompanhamos o drama de Elisa (Débora Bloch), uma mãe que perde sua filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa), vítima de um cruel assassinato. O responsável pelo crime é o noivo da menina, Vicente (Jesuíta Barbosa), rapaz que nutre um ciúme doentio pela companheira e não é capaz de aceitar o fim do que seria um relacionamento saudável entre os dois.
Ao flagrar a amada e um ex-namorado enquanto os dois tomam banho, Vicente se descontrola e dispara 3 tiros contra a menina, o que acaba por arruinar a vida de todos os envolvidos (e brindando os telespectadores com uma sequência lindíssima!).
Vicente vai preso e, anos depois, ao ser libertado, passamos a acompanhar a motivação de Isabela em matá-lo; justamente para fazer justiça ao óbito da filha. No entanto, a moça percebe que o jovem agora é pai e que construiu uma outra família. Decidir o que é certo ou errado será uma difícil questão.
Às terças, acompanhamos os percalços de Fátima (Adriana Carminha Esteves).
Gente, essa é a atriz que melhor chora no Brasil inteiro..! Não tem pra ninguém!
Olhem que choro verdadeiro!

 

Desfocada, mas com um sofrimento viçoso e bonito de se ver

Fátima é casada com Waldir (Ângelo Antônio) e mãe de dois filhos. Vê sua vida mudar completamente quando ganha um vizinho super problemático, o policial Douglas (Enrique Díaz), que possui um cão feroz como seu melhor amigo.

A serenidade no olhar de quem enxerga Nina e Jorginho nessas duas fofuras

O tal cachorro sempre arruma confusão, matando as galinhas e invadindo o quintal do casal. Em uma dada noite, e com Waldir no hospital por ter se metido em uma briga no bar, a doméstica acorda com gritos que aparentam ser um pedido de socorro de seu filho mais novo, Jesus (Bernardo Berruezo/Tobias Carrieres). Desesperada, ela pega a arma do marido e se depara com a criança ferida e chorando. Visando a protegê-lo, Fátima mata o animal com tiros certeiros, decidida a eliminar o mal pela raiz.

Essa bufadinha de nariz é tão Carminha <3

O que a dona de casa não esperava é que o policial, que considerava o cachorro como um verdadeiro herdeiro, fica enfurecido com a situação e decide incriminá-la, implantando cocaína em sua residência. A partir daí, Fátima é presa e seus filhos (com a morte do pai e para não ficarem sob a guarda do Conselho Tutelar) passam a se criarem sozinhos. Quando a empregada finalmente consegue sair do cárcere, descobre que sua vida foi se desmoronando aos poucos: seu filho sobrevive de pequenos furtos enquanto que, a filha, Mayara (Letícia Braga/Julia Dalavia), virou prostituta para garantir seu sustento. Como lidar com estes novos rumos familiares?

Observando sorrateira no meu canto pra ver se chego a uma solução

Às quintas (porque quarta é dia de futebol programação chata e monótona) é a vez de sentirmos a sofrência de Rose Silva dos Santos (Jéssica Ellen), uma estudante negra que é presa com drogas; o que a impede de realizar sua matrícula e de concretizar o tão esperado sonho de ingressar no vestibular.

A mãe da jovem sempre trabalhou como faxineira na casa de Débora (Luísa Arraes), que foi criada como uma espécie de irmã para Rose – já que compartilhavam segredos, romances, risadas… Para comemorar a entrada da amiga na faculdade, Débora tem a ideia das duas irem à uma descolada festa do Recife, na praia.
“Preocupação Feelings”

Lá, as amigas, junto a uma turma da pesada (e que vai causar altas confusões na sua telinha) decidem fazer uma vaquinha para comprarem drogas e se divertirem a valer..!

Elas foram ingênuas, auditório?
“SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM”

Eis que a polícia chega ao local e Rose, por ser negra, acaba tendo que se submeter à revista obrigatória e vai presa por porte de substâncias ilícitas, enquanto que sua amiga, covardemente, não se entrega junto e decide fugir. 7 anos depois e já após o falecimento de sua mãe, a menina consegue sair da prisão e decide ir morar com Débora, que agora já é casada e possui sua independência.

No entanto, totalmente inesperada a quem assistia foi a reviravolta que o rumo da estória tomou, quando descobrimos que Débora foi abusada sexualmente neste tempo que passou e que este fato a impede de ter filhos biológicos nos dias de hoje. A motivação inicial é distorcida e passamos a acompanhar uma nova causa, por assim dizer… Curioso, não?

E, finalmente, às sextas, quem dar o ar do sofrimento da graça em nossas telinhas é Maurício (Cauã Reymond), preso por matar sua esposa Beatriz (Marjorie Estiano) através de eutanásia.
Se vocês ainda não foram humanos o suficiente para chorarem com os relatos anteriores, preparem seus lencinhos para se emocionarem com esse casal e com essa estória <3
Recado de praxe aos pombinhos:
Beatriz é uma renomada bailarina que se vê vítima de um grave acidente de carro. Ao ser levada para o hospital em estado grave, desperta após uma longa cirurgia e descobre que está tetraplégica (sem mais nenhuma chance de sentir seus membros e, consequentemente, voltar a dançar).
Beatriz: “Você está me abraçando? Eu não sinto…”
Maurício: “Sim, me amor… Eu estou te abraçando”
(CRIES)

Tendo a vida na arte e na musicalidade, Beatriz decide então pedir ao marido para que compre eutanásia e a mate de uma vez. Maurício grava um vídeo com a amada confessando que pediu ao cônjuge para realizar a ação e morre, logo depois, sob os efeitos da droga. Maurício é preso e fica desolado com a situação.

“Cauã, faz uma cara de desolado aê”

Depois de longos e duros anos, o rapaz consegue se livrar da prisão e descobre que o cara que atropelou a esposa e não prestou socorro, o contador Antenor (Antonio Calloni), está se candidatando a governador do Estado… Mas Maurício não deixará isso barato e irá acabar com a alegria do cruel e ganancioso político.

O momento do acidente

“Justiça” é uma narrativa bastante forte e envolvente, que cativa o telespectador justamente por apresentar tramas críveis, mas que, ao mesmo tempo, inovam e nos fazem refletir. É uma ótima pedida para quem gosta de estórias com um ritmo ágil, diferente e surpreendente! Hiper recomendada!

E essa abertura minimalista, que coisa mais linda e ‘cult’?

“Justiça” vai ao ar às segundas, terças, quintas e sextas, às 22:30, na Globo!

O maior noveleiro que você respeita. Tem 22 anos, é canceriano e cursa Estudos de Mídia, na UFF. Televisão, fotografia e livros estão entre suas maiores paixões - junto com farofa e empada, claro. Já foi professor de inglês, participou de um concurso de roteiristas para o G Show e, atualmente, também escreve para o #MUSEUdeMEMES (believe, it’s true <3).

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