Vale a pena assistir a 3ª temporada de “Degrassi: Next Class”?

A franquia “Degrassi” não existe há pouco tempo não, ela vem desde a década de 80. Atualmente, junto com a Netflix, temos o “Degrassi: Next Class“. Já comentei sobre a  e a  temporadas em posts anteriores – vale a pena conferir, se você não acompanha a série e quer saber mais sobre.

Não sei vocês, mas das 3 temporadas, essa última foi a que menos me impactou, ou causou ansiedade, risos, choros, vontade de devorar todos os episódios… Enfim, a temporada menos atraente de “Degrassi”, na minha opinião.

Grande parte dos assuntos pareciam bobos ou forçados, ou sendo jogados sem grande desenvolvimento. Alguém concorda? Mas claro que esta série sempre busca trazer reflexões e abordar temas que geram um certo ‘tabu’. Vamos comentar sobre alguns deles!

Trauma pós-acidente

No final da 2ª temporada, parte dos estudantes estava no ônibus da escola que sofreu um grave acidente, e acompanhamos como a vida deles seguiu após este ocorrido. Para a maioria, parece que nada aconteceu, mas para Tristan, Miles e Maya, ele está mais presente do que nunca.

Tristan ficou em coma por meses. Seus amigos, médicos e familiares não sabiam quando/se ele acordaria. O que causou um grande impacto na vida de Miles, seu namorado. O rapaz seguia confiante e visitando frequentemente seu mozão, até suas esperanças serem abaladas. Miles passou por momentos difíceis sem saber o que deveria fazer – afinal, a vida dos dois estava parada, era como se o coma de Tristan tivesse congelado sua vida também. Foi aí que ele encontrou apoio em Lola. A amizade dos dois foi essencial, mas acabou sendo colorida, o que levou a mais conflitos.

shippei

Aborto

O romance ‘proibido’ e de uma noite, apenas, de Miles e Lola acaba resultando em uma gravidez inesperada. Lola nem pensa duas vezes quando descobre que o teste deu positivo, ela vai atrás de uma clínica de aborto. Independente de você ser a favor ou contra, o inegável é que o que acontece, infelizmente, é bem diferente da realidade para uma maioria. A clínica é um lugar agradável, com profissionais que demonstram competência, precauções e auxílio. Apesar de tudo ocorrer em um episódio, a narrativa foi colocada em pauta de uma maneira bem ineteressante. Não foi discutido se é certo ou errado, mas sim, como a pessoa que está na situação lida com ela. Após passar pelo aborto, Lola grava um vídeo para o canal no Youtube que faz parte com outros alunos falando sobre. Afinal, não é uma situação exclusiva, e ter alguém que esteve na situação falando sobre é uma ideia que pode ser salvadora/consoladora.

 

Conflitos étnicos e religiosos

Estas problematizações tiveram os muçulmanos como expoentes em questão. Goldi e Baaz são muçulmanos fervorosos, ambos levam a religião e sua cultura muito a sério e se privam de gestos que são casuais e corriqueiros para a nossa cultura. Diversos embates acontecem com a personagem de Goldi – o que adorei, pois a personagem tem muito a acrescentar e é muito boa – principalmente com a chegada de Rasha, uma muçulmana que está sendo acolhida em sua casa. Ambas tem visões de mundo distintas. Rasha, aos poucos, vai se soltando e sendo quem ela realmente é, e Goldi vai encarando aos poucos e quebrando preconceitos próprios em relação às diferenças culturais. Por ser extremamente fiel ao Alcorão, Goldi se sente como um peixe fora d’água, enfrentando até um professor babaca que permite comparações com homens-bomba. Falando em Rasha, a menina chega chegando! Ela e Zoe se apaixonam e enfrentam preconceitos. Principalmente Zoe com sua mãe.

Goldi e Rasha
Rasha tirou o hijab e partiu pro romance com Zoe

 Depressão

Quando as pessoas vão parar de menosprezar esta séria doença? Um dos problemas em lutar contra a depressão é, sem dúvidas, a visão que temos sobre ela. Mas é como a doutora diz para Maya em sua consulta: “Depressão é uma doença que toma muitas formas”.

Eu confesso que acho Maya a personagem mais chata da série e tenho preguiça de qualquer narrativa estrelada por ela, mas é importante falar sobre depressão sim. Desde o acidente do ônibus, a ‘wanna be a singer’ mudou bastante. Ela não sente vontade de fazer nada, se afasta de seus amigos, não consegue mais compor… E, pra piorar, ela começa uma amizade perigosa com um novo garoto que curte tirar fotos de experiências que remetam à morte, como se a dor pudesse ser transformada em arte através de suas fotos. Então, Maya começa a estrelar suas fotos e acaba gostando até demais de sentir o gosto da morte. Mesmo com os cuidados de sua mãe e de médicos, ela só piora… Até que comete um ato fatídico, que encerra a temporada. Sabemos que ela não morreu, mas teremos que esperar a próxima temporada para saber os efeitos que isso causará.

 

Bom, fazendo esse ‘recap’, até parece que a temporada foi bem madura e ótima, né? Mas não, pelo menos não para mim… Essas foram as partes mais fortes da narrativa, mas muitos assuntos não tão impactantes tiveram um enfoque bem maior. O que vocês acharam? “Degrassi: Next Class” está perdendo seu brilho ou há esperanças para a próxima temporada?

Viver a vida com simpatia e bom humor é meu lema. Tenho 23 anos, amo cultura pop, sou viciada em séries, realities e sorvete. Leonina com os dois pés em peixes, sou muito emotiva sim. Quem quiser conhecer mais, só vem @ranycamara

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