Quase tudo que você não sabia sobre idiomas que só existem em séries

Inicialmente, esse post iria ser sobre séries que tem línguas inventadas especificamente pra elas; em que os personagens, em boa parte do tempo, estão se comunicando por um sistema fonético e gramatical que não existia antes da história entrar no mundo. Porém, acabei descobrindo que todos esses idiomas foram inventados pelo mesmo linguista: David J Peterson.

 
Ano Título Língua(s)
2011-2015 Game of Thrones DothrakiValirianas
2013-2015 Defiance Castithan, Irathient, Indojisnen, Kinuk’aaz
2013 Thor: The Dark World Shiväisith
2014 Star-Crossed Sondiv
2014-2015 Dominion Lishepus
2014-2015 The 100 Trigedasleng
2015 Penny Dreadful Verbis Diablo


Então decidi mudar de rumo e dividir com vocês as curiosidades que eu descobri pesquisando sobre idiomas pensados especialmente para as séries..! Vamos lá?

 
Druid
O que faltou à Wikipédia dizer é que, para além de todas estas séries, mais recentemente, David também inventou o dialeto Druid para “The Shannara Chronicles”.

 


“Professora, ele tá me copiando”

David seguiu o caminho trilhado por Paul R. Frommer que inventou o Na”vi para o filme “Avatar”, de James Cameron e que, no momento, também trabalha para expandir a língua para as sequências do filme.

Só observando essa cópia toda, detrás das moitas
 
 
Poliglota
Peterson fala pelo menos oito línguas com certo conforto (inglês, espanhol, francês, alemão, russo, esperanto, árabe e linguagem de sinais americana). Ao todo, ele estudou mais de 20 idiomas reais, apesar de se considerar completamente fluente em apenas dois: inglês e espanhol. 

Ele é nerd ele
 


Enem dos idiomas

Logo no início do planejamento de “Game of Thrones”, foi realizado um concurso pra escolher quem criaria a língua fictícia da narrativa. Só depois de apresentar uma proposta de 300 páginas com 1.700 palavras, descrições gramaticais, frases e traduções, Peterson foi escolhido para desenvolver o idioma Dothraki para a série.

You go, boy
 


A inspiração pro idioma Dothraki  

O Dothraki se parece com o havaiano, e as línguas indo-europeias, como o inglês e o espanhol; mais o espanhol, pela estrutura das frases. Existe sujeito, verbo e objeto, a flexão do verbo e do substantivo, os adjetivos modificando o nome, inclusive com orações subordinadas relativas. E, como eram povos nômades e fortes, isso precisaria estar representado também no idioma, motivo pelo qual Peterson buscou o som do árabe, mais duro e áspero, diferentes do som da língua inglesa.
 
Palavra por Palavra
Pensando nas raízes do idioma, ele traçou a história de cada palavra do Dothraki, inventando versões da língua como ele imaginava que pudesse ter existido no passado (incluindo milhares de palavras que nunca seriam usadas na série).

Rei é rei né, mores?
 


Bem Europazinha

O alto valiriano de “GoT” é parecido com o latim, até por vontade do próprio escritor George R.R. Martin.


Um idioma inteiro para só uma frase

David J Peterson criou ainda uma terceira língua para “Game of Thrones” — para um único gigante. Em entrevista, o inventor disse rindo que não soube de antemão que o personagem só teria uma fala, achou que seria cheio dos diálogos. Mas tanto faz, ele criou uma linguagem completa para o personagem.

 

O blá blá blá de “Star Wars”

David também disse que uma das cenas que mais o inspirou a estudar idiomas está no filme “O Retorno de Jedi”, na parte em que Princesa Leia negocia com Jabba. Na primeira vez, ela diz “Yaté, yaté, yotó” – e isto, por si só, significa que ela está vendendo o Wookiee. Porém, na segunda, ela diz “Yotó. Yotó”, exatamente a mesma palavra usada no final da primeira fala, mas dessa vez significa que ela exige ‘50.000, não menos’ – depois que Jabba oferece 25.000. “O que é um jeito muito bizarro de uma língua funcionar”, ele completa.


Erros de Gravação

Nichole Galicia, que fazia uma alien de língua Kinuk’aaz em “Defiance” recebeu uma fala nova algumas horas antes da gravação. Como teve pouco tempo para praticar, durante a cena esqueceu uma das falas e soltou a primeira coisa que veio na sua cabeça. Ela disse “Boas férias” quando deveria estar dizendo “Você me enoja e desgraça nosso povo”. Ninguém no set sabia a diferença. Ela saiu da gravação e correu pra ligar para David e se desculpar por massacrar seu idioma; ele respondeu que não devia ter sido tão ruim quanto ela disse e que se estivesse muito péssimo, eles poderiam dublar a cena. 
A cena foi dublada.

Quando o texto chega
David ajuda as atrizes e atores a falar a língua quando recebem o texto. Algumas vezes passa horas no telefone passando fala por fala, sílaba por sílaba. Pode demorar dias para algumas fonéticas soarem certas. Apesar disso, os atores não necessariamente precisam aprender o idioma, mas apenas treinar sua pronúncia, o que fazem a partir de arquivos em mp3 que recebem junto com o roteiro.

 


No que importa se estão falando certo?

Ao ouvir essa pergunta, David coloca que a única razão para contratarem um criador de línguas é para ter a certeza de que tudo no que se refere a este dialeto esteja correto. E ele é rigoroso.
 

“Penny Dreadful”

Verbis Diablo é a língua antiga que detém poderes em suas orações. Para criá-la, Peterson olhou para a linguagem como uma peça de arte. Muitas palavras que significavam algo em uma determinada linguagem são tomadas e revertidas foneticamente para produzir a palavra equivalente em Verbis Diablo. Às vezes, a reversão veio com uma inversão de sentido, como com justa, do latim, que se torna atsüü, “vil”. As palavras vieram de fontes reais, especificamente: Árabe, Acádio, Médio Egípcio, Grego Ático, Latim, Persa e Turco.
 
“The 100”
Como explica muito bem o Maratonei: “Trigedasleng é a evolução do inglês moderno, embora o léxico e a gramática tenham sido alterados para serem relativamente estranhas aos falantes da língua inglesa. Desenvolveu-se parcialmente devido às variações linguísticas naturais, mas também por pressão dos grounders para a criação de códigos e eufemismos que seus inimigos, particularmente os Homens da Montanha de Mount Weather, não entendessem de cara.”

 
 
Traduções para fãs
Certa vez, uma fã de “Game of Thrones” mandou uma questão um tanto quanto curiosa. Ela gostaria de saber como se dizia “sociology girl” em Dothraki. David disse que infelizmente esse é um termo que não existe no universo Dothraki, no qual o termo “sociologia” é desconhecido. Apesar disso, propôs uma outra tradução, “nayat fin avitihera vojis sekke” – “girl who will stare at people too much”, ou, em português “garota que vai olhar para as pessoas demais”.
 
Aplicativo para aprender Dothraki
Foi lançado um aplicativo chamado “Dothraki Companion App”, que obviamente é caríssimo (4 dólares). De acordo com os desenvolvedores: “Fãs da série de sucesso da HBO “Game of Thrones” agora podem aprender a língua Dothraki. (…) o aplicativo Dothraki Companion irá armar você com bastante vocabulário e gramática para ter uma conversa completa em Dothraki”.

Duvido, mas até fiquei curioso.


 
 
Se você quiser saber mais sobre esse assunto, pode visitar os sites nos quais achei estas informações o/

É viciado em ficção seriada e em questionar o mundo. Já assistiu todas as séries que você pode imaginar e seu maior interesse está em acompanhar a história por um longo período de tempo e ver personagens crescerem e se transformarem. Não entende o preconceito com a televisão e adora se comunicar com as pessoas.

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