“Bates Motel” beirou a “Psicose”, mas não se rendeu à ela

A maravilhosa série “Bates Motel” chegou ao seu fim, na 5ª temporada, no final do mês de abril. Como muitos sabem, a trama foi uma adaptação do clássico do cinema “Psicose“, o que rendeu olhares curiosos e empolgados desde a sua estreia. Falando por mim e por pessoas próximas, ela não decepcionou em momento algum ao entregar aquilo que se propôs sem se perder: a relação entre Norma e Norman, muito além do fatídico episódio explorado no filme.

 

A 5ª e última temporada gerou muita expectativa por ser o momento em que a série retrataria a narrativa presente em “Psicose”. Ou seja, Norman receberia no Bates Motel uma secretária que roubou uma grande quantia em dinheiro de seu patrão para viver com seu amante. Trata-se de Marion Crane. Em ambas as narrativas, esta história acontece. Mas, no seriado, tudo está ligado à Norman.

 

Em “Bates Motel”, Norman se encanta por uma vendedora chamada Madeline Loomis (muito parecida fisicamente com sua mãe, Norma, que já está morta nesta temporada, mas continua vivendo na cabeça do rapaz em seu distúrbio de personalidade). Madeline é casada com Sam Loomis, que possui um relacionamento extraconjugal com Marion! A secretária não sabe que seu amado é casado e se abriga com o dinheiro roubado no Bates Motel.

Pausa para dizermos que Marion foi interpretada por ninguém menos que Rihanna na série! Após a cantora e também atriz se declarar fã, ela foi convidada para estrelar a personagem tão importante na narrativa audiovisual da década de 60! Totalmente repaginada e cheia de atitude, RiRi nos rendeu uma Marion bem diferente e ousada!

Norma e Norman sempre tiveram uma relação difícil quando o assunto era um dos dois envolvidos em qualquer outro relacionamento. Essa cumplicidade maternal beirava a loucura e se rendeu à ela quando Norman tentou matar ambos, mas só Norma acabou morta toda vez que alguém se aproximava de um dos dois. Esta Norma, fruto da cabeça de Norman, não tolerava os sentimentos do filho por Madeline, por alguns motivos – neste caso, pelo medo obsessivo de perderem um ao outro para outra pessoa, o ciúme pela semelhança física de Madeline com Norma jovem, e a semelhança na relação do casal Loomis com Norma e o pai de Norman, um relacionamento abusivo e frustrado.

Todos estes fatores levaram a icônica cena do chuveiro de “Psicose”!

aquela musiquinha famosa ‘pã pã pã pã’ no fundo, por favor

 

A dúvida, então, pairava no ar: quem seria a vítima da famosa cena do chuveiro? No filme, é onde Norman ataca Marion, vestido como Norma e conhecemos a mamãe Bates. Mas, na série, quem possuía as semelhanças físicas com Norma era a personagem de Madeline, então a dúvida estava muito bem construída.

E, para nossa surpresa, nenhuma das duas foi a vítima! Aliás, Norman também não estava vestido como Norma. A mãe estava presente em seus pensamentos e o levou a cometer este assassinato. Foi a primeira vez em que Norman sabia que quem estava matando era ele, e não sua mãe! Ah, e a vítima? Quem causou todo o sofrimento na vida de ambas as moças, o marido e amante: Sam Loomis. PÃ

Que se dane, não vim aqui para morrer não. Respeita meu banho
A série soube driblar toda a expectativa por este ápice na narrativa, surpreendendo e mantendo o sentido na história. ~palmas~ Mas muita água ainda iria rolar até o series finale! Após se refrescar com esta chuveirada, o circo começou a fechar para Norman.
Norma tomou conta completamente da cabela de Norman, para tentar salvar o garoto da prisão, o que não aconteceu. Os corpos que ‘mãe e filho’ haviam escondido por algum tempo começaram a ser encontrados e tudo estava caindo sobre Norman. O único disposto a defendê-lo e a ver sua necessidade em ser tratado em uma clínica para doenças mentais era seu irmão, Dylan. Mas quem poderia impedir Romero de se vingar do garoto por ter matado seu amor, Norma?
Romero deu a louca! Ele invadiu a delegacia, onde era o xerife em tempos de bonança, e sequestrou Norman. Ambos seguiram para onde Norma estava enterrada – na neve, toda azul, e certamente com um cheiro de flores mortas após ficar rodando de lugar em lugar depois de morta. Romero deixa se levar pela emoção quando vê Norma e esquece que um psicopata está na companhia dos pombinhos de outrora. Ele deixa a arma nas costas e fica lá abraçando Norma, então já sabíamos que não acabaria bem, né? Mas Norman é ‘old school’, mesmo depois de ter levado uma surra, ele pega um pedrão e acerta Romero diversas vezes, até finalmente pegar a arma e fazer outra vítima.
O episódio final foi bem nostálgico e trouxe flashbacks que intercalavam com a narrativa atual. Cenas de quando Norma e Norman se mudaram para o Motel, com a esperança de recomeçar. E é nesta fantasia que Norman se prende. Ele volta para o Motel, com o cadáver de sua mãe, e começa a viver tudo novamente. É como se sua mente tivesse apago tudo e ele tivesse voltado no tempo. E aí temos o confronto final entre os irmãos. Família unida e a sanidade colocada à prova.
Dylan tem de acabar com a ilusão de Norman e joga toda a verdade em seu irmão, dizendo mais uma vez que ele precisa de ajuda. Mas Norman se recusa a abandonar a mãe. De um lado, Norman com sua faca; do outro, Dylan com sua arma. E é assim que mais um Bates morre. Norman vai ao encontro de sua mãe, em uma cena muito bela e tocante.
A série fez um trabalho primoroso ao construir muito bem os fortes laços entre Norma e Norman, protagonizando sua história. Não sei como os fãs do filme se sentiram, mas particularmente acredito que foi uma narrativa ótima de ser contada desde o seu início, antes do Bates Motel ser criado e das vítimas antes e após Marion Crane (no filme) padecerem. A série conseguiu manter todos os acontecimentos bem interligados ao longo de suas suas temporadas. E, ao chegar na 5ª, que é quando a história do filme foi retratada, não pecou e não se acovardou. Ousou e trouxe um frescor do século XXI em todos os aspectos. Sem falar nas atuações impecáveis de Vera Farmiga e Freddie Highmore, nos enlouquecendo e nos fazendo amar seus personagens em todo a sua maluquice!
Nos despedimos desta ótima série com esta fotoca linda, e contentes por ‘”Bates Motel” ter adentrado a narrativa de “Psicose”, mesmo não tendo se rendido à ela – mas sim, tendo contado sua própria história. E vocês? O que acharam desta finale?

Viver a vida com simpatia e bom humor é meu lema. Tenho 23 anos, amo cultura pop, sou viciada em séries, realities e sorvete. Leonina com os dois pés em peixes, sou muito emotiva sim. Quem quiser conhecer mais, só vem @ranycamara

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