Conheça Unpretty Rapstar: Reality Show Musical de Rap Feminino

A Coreia do Sul, além de ser reconhecida pelo turismo e gastronomia, também possui grande evidência internacional por seu mercado de entretenimento.

Os produtos midiáticos sul-coreanos — sobretudo os musicais — vêm ganhando uma estrondosa popularidade ao redor do globo, graças ao crescimento e consolidação da Web 2.0 — ocorrendo, assim, uma solidificação da cultura de nichos no Brasil. A popularidade dos produtos sul-coreanos nas terras tupiniquins também se deve às diversas reportagens jornalísticas feitas pelas emissoras de televisão aberta (alô Globo e SBT).


Você já ouviu falar da palavra do K-Pop hoje?

Tal fenômeno ao redor das mídias sul-coreanas foi denominado de Hallyu (Onda Coreana), começando a partir dos anos 90 e intensificando-se nos anos 2000. A Coreia do Sul além de exportar dramas — quase um híbrido entre telenovela e série norte-americana, —, músicas e filmes, também exporta reality shows musicais.

Dentre os milhares de reality shows musicais oriundos da Coreia do Sul, “Unpretty Rapstar” tem seu charme e singularidade por se tratar de um programa de competição de rap feminino, ajudando a visibilizar o trabalho artístico das minas do rap e colaborando na disseminação da cultura Hip Hop para além do ocidente. “Unpretty Rapstar” é produzido e exibido pela emissora sul-coreana Mnet. O programa televisivo teve sua estreia no dia 29 de janeiro de 2015, e desde então, vem obtendo um sucesso grandioso na Coreia do Sul. O reality possui três temporadas e caminha para sua quarta, cuja estreia está confirmada para 2018.

“Unpretty” é um spin-off  de “Show Me The Money” (SMTM) — uma espécie de “The Voice” do Rap, produzido e exibido também pela Mnet. “SMTM” é uma competição de rap que abarca tanto mulheres quanto homens, porém a quantidade de rappers femininas presente no programa é muito baixa se comparada à presença masculina.

Mesmo sendo um spin-off, “Unpretty” possui certas peculiaridades em seu formato que se diferem de “Show Me The Money”, como, por exemplo: o programa gira em torno de provas; as competidoras competem entre si para participarem das faixas do CD que será lançado no final do programa. Ao longo do reality, há inúmeras performances, diss battles — onde duas rappers se duelam com muita retórica e intimidação —, colaborações, shows ao vivo, muitas frases memoráveis e um acervo de memes que a internet precisa conhecer.

Todas as manas de “Unpretty” produzem raps autorais, muitas utilizam-se de letras pesadas e extremamente pessoais, desabafos raivosos acerca da indústria musical e sobre o papel da mulher na sociedade sul-coreana. O rap torna-se, então, uma ferramenta de resistência, luta e empoderamento para elas. Segue, logo abaixo, alguns raps incríveis apresentados durante a competição:

1. “Coma ’07“, da Cheetah, é um rap extremamente pessoal e emocionante, onde ela expõe a todos sua experiência de passar por um coma depois de um acidente de trânsito.

 

2. “Nothing ,de NaDa, é sobre a sua identidade como rapper, seus dilemas e superações.

 

3. “Crazy Dog“, de Yezi, é um belo de um sambódromo na cara da sociedade. A cantora esbravejou e deu aquele feedback bacana para os haters — sobretudo, haters misóginos.

 

4. “Ronda Rousey Flow”, de KittiB, é um brado voltado para a indústria e para todos aqueles que um dia já insultaram sua aparência e seu jeito de ser. Durante uma diss battle, ela foi chamada de “porca”, que no contexto sul-coreano, significa “gorda”. Nesse rap, ela põe para fora todo sapo engolido durante o reality.

 

A emissora Mnet é um tanto quanto sádica na pós-produção de seus realities (e não sou apenas eu quem está afirmando isso: Link 1, Link 2Link 3). Infelizmente, o programa bebe um pouco da fonte do sensacionalismo midiático quando levanta uma certa “glamourização” na rivalidade feminina e exalta o catfight em “Unpretty Rapstar” — isso ocorre, principalmente, nas diss battles. Porém, entretanto, todavia, as próprias competidoras, em determinadas cenas, levantam a bandeira da sororidade para refutar de vez certas manipulações presentes nas edições.

“Eu pensei que era uma batalha, mas acabou se tornando um trabalho em equipe.”

“Eu sinto como se fôssemos uma família.”

 

Um exemplo clássico da evil editing da Mnet é de como a participante Yezi, na segunda temporada, foi retratada durante a exibição da competição. A artista foi moldada como uma “vilã” nas edições.

A cantora possui sérios problemas de audição, e os editores aproveitaram isso para manipular as cenas fazendo com que Yezi soasse arrogante em suas perguntas repetitivas ou em suas expressões vazias. Ela ficou bastante inconformada com a edição que fizeram dos episódios do programa e, como feedback, fez um rap mostrando seu descontentamento com a indústria do entretenimento (You go, girl!!!).

Já que “Unpretty Rapstar” é um reality sul-coreano — ou seja, produto nichado , você apenas encontrará ele na internet legendado por fansubs. Quem ficou curioso e quer conferir de mais perto, chega mais: 1ª Temporada, 2ª Temporada e 3ª Temporada.

E aí, finalizo com uma pergunta reflexiva: como seria se “Unpretty Rapstar” tivesse uma versão brasileira? Será que Karol Conka seria a apresentadora?

Laila é o meu nome e faço Estudos de Mídia na UFF. Sou ilustradora e social media, e às vezes brinco de ser fotógrafa, modelo e roteirista. Tenho apenas o sonho de ser a melhor amiga da arte. Sou uma boba alegre. Amo ficar em casa fazendo maratona de filmes, amo ver o céu, amo amar e sou metida a besta em filosofar. E também rimar.

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