Por que MasterChef é o melhor reality show do Brasil?

Nas terças-feiras da Band, está no ar agora a segunda temporada de MasterChef Profissionais. Desde de 2 de setembro de 2014, quando foi lançada a primeira temporada da versão brasileira do reality show, a emissora já realizou 7 temporadas (incluindo as versões junior e profissionais). Não bastasse isso, se a primeira temporada teve 17 episódios, esse número foi crescendo e a última versão finalizada no primeiro semestre desse ano teve 25 episódios.

Ao fim da segunda temporada (que premiou a produtora de eventos Izabel Alvares e é o episódio mais assistido de MasterChef na televisão tradicional até agora com 10.2 pontos no Ibope), eu não acreditei quando a Band anunciou o início da versão Junior para apenas um mês e meio depois. Pensei: “vendo o sucesso que o programa está fazendo, vão começar a enfiar pela nossa goela, fazer temporadas longuíssimas, várias versões, e com certeza as pessoas vão perder o interesse muito rápido. Por que a Band não espera um pouco?”.

E eu não podia estar mais errado.

Realmente a Band produziu uma temporada atrás da outra. E cada vez mais o número de fãs foi crescendo e seu engajamento na internet e na vida. O episódio de vitória de Michele Crispim, gerente comercial, no dia 22 de agosto desse ano, foi recorde de audiência na temporada com 8,1 pontos de audiência, 938 mil tweets (#MasterChefBR) e a Band alcançou a liderança por 51 minutos – durante essa mesma temporada foram contabilizados quase 5 milhões de tweets. O programa e o chef Jacquin estão também concorrendo aos meus prêmios nick nas categorias “Programa de TV Favorito” e “Artista de TV Favorito”.

Agora, o que justifica todo esse sucesso? Como a produção do programa elaborou uma “fórmula” de sucesso e soube a replicar sem cansar o público? Eu tenho algumas ideias, vamos lá!

Roteiro e Personagens

A começar pelo que mais nos move como telespectadores a não só assistir, mas acompanhar o programa, o MasterChef Brasil teve atenção na hora de elaborar seus roteiros e personagens. Eu digo personagens, porque, apesar de ser um reality show e apresentar “pessoas de verdade”, quem já viu Unreal sabe que existe toda uma preparação por parte da produção para pensar trajetórias para os participantes, elaborar “vilões” e “heróis”, estimular intrigas e saber aproveitar o material certo na edição. Tática parecida adotada pela segunda edição do profissionais (atualmente no ar) em relação a Francisco e Clécio.

A formação do time do bem na segunda temporada encabeçado pelo trio vencedor (Izabel, Raul e Jiang) foi meticulosamente bem construído. Criando oposição ao personagem de Fernando, por exemplo, dando ênfase nas suas características mais egoístas e prepotentes, cada vez mais, nós como públicos, nos unimos em prol daqueles que eram mais gostáveis, que eram apresentados como mais humildes, mais simpáticos, mais afetivos.

Não quer dizer que o Fernando não tomava as atitudes que tomava, eu mesmo odiava ele, mas que escolheram mostrar mais esses lados dele. Ao invés de mostrar diversos aspectos das personalidades de cada um, as pessoas se tornam personagens, vão sendo caricaturadas, assumindo certos papéis dentro da narrativa do programa. Isso também não quer dizer que estamos sendo manipulados e nada disso é verdade; acho que nem deveria ser sobre ser verdade ou não, isso é o de menos, se o “totalmente real” fosse possível (o que não é), ninguém assistiria o programa e se envolveria tanto.

Outra marca para percebermos como são pensados os personagens na produção do programa é o fato de podermos encontrar UMA pessoa em cada edição que é gringa e tem o sotaque muito forte e marcado. Isso funcionou e foi replicado em praticamente todas as edições. Mais uma vez não é uma crítica – pode ser dependendo de como olharmos pra essa estratégia -, mas é uma tentativa de análise pra mostrar que as coisas não só acontecem, que não é só uma questão de “os melhores cozinheiros são selecionados”.

Jurados

Os jurados também fazem parte forte dessa construção narrativa, cada um com seu sotaque, cada um com sua especialidade, cada um com seu jeitinho especifico que foi desenvolvido ao longo das edições. E o que a Band soube (e está sabendo) fazer é analisar quais as reações do público na internet e estimular ou intervir em certas posturas. Então, as expressões faciais maravilhosas de Paola, que rendem muitos memes, é uma coisa dela, mas é também explorada pela edição e filmagem. A mistura de bravo e fofo de Jacquin e, principalmente, sua postura em frente às câmeras também rendem, não só no MasterChef como perceberam, mas em outros programas e convites que o chef recebeu. E o jeito “machão” e duro de Fogaça é também uma marca escolhida para o personalizar.

Além disso, é necessário citar a rainha Ana Paula Padrão, que já chegou a assumir, usando a palavra “personagem”, que era exatamente dessa forma que ela elaborava sua presença no programa. Desde as roupas de cores mais fortes e modelos bafônicos (algumas vezes bregas) – que a descolam da imagem da jornalista que já apresentou grandes telejornais “sérios” -, até seus comentários pra fazer intriga e a liberdade na fala; tudo isso é uma maneira de tornar o programa mais interessante e gerar mais comentários. As reações dos fãs (de raiva e amor) pela apresentadora mostram que ela está fazendo um ótimo trabalho e faz parte da alma do MasterChef Brasil.

O episódio em si / A temporada completa

Não é qualquer atração que consegue manter o público interessado e ativo por duas horas e meia na grade de televisão, é um trunfo magnífico a forma como cada episódio de MasterChef estimula nosso interesse em cada corte. Apesar das provas serem praticamente as mesmas, assistimos como se fossem novas e acompanhamos com emoção e nervosismo; é muito importante isso ao se pensar um programa que segue uma fórmula. Porque apesar de sempre igual, MasterChef está sempre se reinventando: novos alimentos, novos desafios, novos utensílios, novas formações de grupo, novos personagens.

E melhor do que tudo, a produção do MasterChef se preocupa muito com os episódios, então se você nunca assistiu, ou se não está assistindo uma temporada completa, pode parar pra assistir apenas um dia e não vai se sentir tão por fora. Vai se emocionar, vai começar a torcer por alguns e odiar outros. Com certeza vai se envolver.

Além disso, também a uma preocupação com os episódios como um todo, então para aqueles que realmente acompanham semanalmente, existem histórias que se iniciam, se desenvolvem e se concluem – intrigas entre participantes que perduram semanas, encrencas com os jurados que vão até a eliminação de candidatos, eliminações e redenções pela repescagem, grandes trajetórias de pessoas que vão melhorando cada vez mais até chegar à final, etc.

Edição e música

E os aparatos que mais dão conta de fazer toda essa proposta funcionar de maneira perfeita são a edição, como eu já apontei antes, e como parte dela, a música. Para o programa ficar no ar por duas horas e meia toda semana e manter as pessoas envolvidas, são diversas imagens rápidas, muito bem pensadas e muito bem feitas. Mostrar as coisas certas nas horas certas.

É função da edição conectar todo o material produzido em horas e horas de provas e preparações para trazer a nós um episódio cheio de altos e baixos, cheio de expectativas e surpresas. O jogo antigo de mostrar as duas equipes e apresentar imagens que nos levam a crer que um vai vencer, mas no fim é o outro, só é mantido há tanto tempo por êxito da montagem. E na percepção de que podem haver quebras, se o público já aprendeu certos códigos, você faz o oposto do que estão pensando e surpreende de novo.

Somado a isso, as músicas e efeitos sonoros escolhidos acrescentam uma atmosfera dinâmica. Os sons tensos que tocam num momento de intriga, ou quando alguém derruba algum objeto na cozinha, ou aqueles que são mais fofos para os momentos de felicidade fazem o jogo de cena fluir; uma estética que é usada bastante nos vídeos pela internet.

E até as trilhas sonoras mais longas, que vão tocando conforme rápidas imagens dos participantes cozinhando aparecem, por exemplo, nos mantém envolvidos. Assim como as músicas emocionantes que tocam na eliminação – enquanto ouvimos as últimas palavras da pessoa da vez – e fazem pessoas, como eu, chorar pra caramba mesmo sem acompanhar a temporada completa.

Presença online

Por fim, o sucesso de MasterChef não pode ser pensado sem a participação daqueles que assistem, um público muito engajado que twitta, comenta, faz gifs, faz memes e torce muito. Público esse que a Band não deixou de lado; ao contrário da grande irmã Rede Globo, a emissora responsável pelo programa, soube usar as redes sociais a seu favor. A Band produz conteúdo próprio na internet, mas não ignora as produções dos fãs, integra e incentiva esse contato.

Outra forma de perceber isso é o canal do MasterChef Brasil, no qual “a cozinha mais famosa do Brasil também está no youtube”. E não na velocidade com a qual as séries chegam na Netflix, os episódios são disponibilizados online algumas horas depois da transmissão em rede nacional pelo canal televisivo.

MasterChef soube surpreender e continuar surpreendendo, nas suas formas, nas suas escolhas, nas suas interações com o público, no seu uso do online; na sua contínua reinvenção.

Longa vida a MasterChef Brasil!

É viciado em ficção seriada e em questionar o mundo. Já assistiu todas as séries que você pode imaginar e seu maior interesse está em acompanhar a história por um longo período de tempo e ver personagens crescerem e se transformarem. Não entende o preconceito com a televisão e adora se comunicar com as pessoas.

Posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.